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Insumos da natureza

A evolução da agricultura ao longo dos anos é marcada pelo uso de novas tecnologias, desde máquinas de colheita até inteligência artificial e satélites p...

Insumos da natureza
Insumos da natureza (Foto: Reprodução)

A evolução da agricultura ao longo dos anos é marcada pelo uso de novas tecnologias, desde máquinas de colheita até inteligência artificial e satélites para a otimização da produção. A atualização tende a facilitar o trabalho no campo e contribuir para uma produção mais eficiente. No segundo trimestre de 2026, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,5% em relação ao trimestre anterior, enquanto o setor agropecuário segue entre os segmentos que movimentam a economia nacional. A sustentabilidade é um dos pilares quando a intenção é manter o crescimento e o desenvolvimento alinhados à conservação do meio ambiente. Nesse cenário, os bioinsumos vêm ganhando espaço na agricultura brasileira. Dados do CropData, da CropLife Brasil, apontam que 46 milhões de hectares foram tratados com bioinsumos no primeiro semestre de 2026, alta de 18,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. No período, o mercado movimentou R$1,8 bilhão. A análise de microrganismos faz parte do processo de desenvolvimento de bioinsumos. Divulgação/Milena Rolim. Mas qual é a diferença deles para os insumos convencionais? Os bioinsumos são produzidos a partir de agentes de origem biológica, como fungos, bactérias e outros microrganismos, que podem atuar na proteção, no desenvolvimento e no manejo das lavouras. No Brasil, o Programa Nacional de Bioinsumos foi criado em 2020, por meio do Decreto nº 10.375, com o objetivo de ampliar e fortalecer a utilizaICITIESção dessas tecnologias na agropecuária. A legislação brasileira também passou a contar com um marco regulatório específico para o setor. A Lei nº 15.070, de 23 de dezembro de 2024, estabelece que bioinsumos são produtos, processos ou tecnologias de origem vegetal, animal ou microbiana, inclusive aqueles obtidos por processos biotecnológicos, destinados a diferentes aplicações na produção agropecuária. Eles podem ser utilizados na produção, proteção, armazenamento e beneficiamento de produtos agropecuários, além de contribuir para o crescimento e desenvolvimento de plantas e para diferentes processos biológicos relacionados à produção. Microrganismos presentes na natureza também podem ter aplicações na agricultura. Divulgação/Milena Rolim. Uma alternativa mais consciente O conceito de sustentabilidade está relacionado à capacidade de suprir as necessidades do presente sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades. Na agricultura, esse princípio coloca em discussão a busca por produtividade aliada à conservação dos recursos naturais. Os bioinsumos aparecem como uma das alternativas nesse cenário. O uso de produtos biológicos pode ser integrado a outras estratégias de manejo, inclusive em conjunto com produtos químicos, ampliando as ferramentas disponíveis ao produtor para o controle de pragas e doenças. Segundo a CropLife Brasil, essa combinação faz parte do manejo integrado de pragas e tem contribuído para a expansão do uso dos produtos biológicos no campo. No primeiro semestre de 2026, os bioinseticidas representaram 47% do valor das vendas de bioinsumos no país, com cerca de R$858 milhões movimentados e 16,4 milhões de hectares tratados. A pesquisa busca novas aplicações para os microrganismos. Divulgação/Milena Rolim. A popularização gradativa dessas tecnologias acompanha uma transformação no setor agrícola, que também envolve o uso de inteligência artificial, automação, drones, satélites e melhoramento genético. Nesse contexto, os bioinsumos representam mais uma possibilidade para o produtor buscar eficiência no manejo das lavouras. O crescimento do setor também está relacionado à busca por práticas agrícolas mais sustentáveis. Em 2025, o mercado brasileiro de bioinsumos movimentou R$6,2 bilhões, crescimento de 15% em relação ao ano anterior. A área tratada chegou a 194 milhões de hectares, alta de 28%. Com a expansão do uso dessas tecnologias, os bioinsumos passam a ocupar um espaço cada vez maior nas discussões sobre o futuro da agricultura. A combinação entre inovação, produtividade e conservação dos recursos naturais apresenta novos caminhos para o desenvolvimento do setor. Texto produzido por Luis Figueiredo, acadêmico do curso de Jornalismo do Centro Universitário FAG, sob orientação da professora Julliane Brita, para a 24ª edição da Revista Verbo, veiculada na 5ª edição do City Farm FAG.

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